
O governo federal aprovou um reajuste de 10% na carga tributária para empresas enquadradas no Lucro Presumido, medida que se soma à nova taxação sobre lucros e dividendos e amplia a sensação de incerteza no ambiente econômico brasileiro. O aumento não representa “10 pontos a mais”, mas um acréscimo direto sobre o valor já pago, elevando custos operacionais, comprimindo margens e pressionando negócios que já enfrentam um cenário de baixa previsibilidade fiscal.
O impacto é significativo, já que milhões de empresas no Brasil utilizam o Lucro Presumido como regime principal, muitas delas estruturadas com base em regras que foram alteradas de forma abrupta. Além do novo aumento, empresários também lidam com a antecipação do fim de benefícios fiscais, avanço da tributação sobre dividendos, expansão contínua da carga fiscal e a chegada da Reforma Tributária, que deve estabelecer alíquotas unificadas próximas de 30% a partir de 2027. O momento exige respostas rápidas: permanecer no Lucro Presumido ainda é vantajoso? Migrar para o Lucro Real se torna uma alternativa? Há espaço para reorganizar contratos e operações para reduzir impactos?
Especialistas avaliam que não houve tempo adequado para planejamento ou adaptação, já que as mudanças ocorreram sem a previsibilidade necessária para reestruturação estratégica. O cenário reforça a necessidade de análise técnica, revisão de modelos tributários e tomada de decisões estratégicas imediatas. Tratar o reajuste como “apenas mais um imposto” pode comprometer a sustentabilidade dos negócios no médio prazo. Para muitos gestores, 2026 se torna um ano decisivo: hora de parar, recalcular e replanejar.
Por Jefferson Lopes
