
Comprar diretamente de fabricantes internacionais sempre foi privilégio de poucos no Brasil e, no Nordeste, o cenário é ainda mais restrito. Quem produz, distribui ou vende na região costuma depender de intermediários, geralmente sediados no Sudeste, e raramente negocia diretamente com quem fabrica. Essa distância tem custo: reduz margens, amplia prazos e dificulta o acesso antecipado às tendências de mercado.
Para encurtar esse caminho, o empresário Arcelino Calado, sócio-fundador da PBF Comex e diretor do grupo ProHospital, organiza missões empresariais à China com o objetivo de aproximar empresários nordestinos de fabricantes, fornecedores e dos principais eventos de comércio internacional, eliminando etapas intermediárias.
A próxima missão acontece em outubro de 2026 e tem como principal destino a Feira de Cantão, em Guangzhou, uma das maiores feiras de comércio exterior do mundo. O roteiro prevê ainda visitas a fornecedores estratégicos, com o objetivo de permitir que os participantes comparem preços, qualidade e capacidade produtiva diretamente na origem — além de identificar, em primeira mão, tendências que poderão influenciar seus mercados nos meses seguintes.
Não é a primeira experiência do tipo. Em abril, o executivo já havia liderado uma missão com 23 empresários de segmentos como engenharia, construção civil, moda, higiene e limpeza, varejo, supermercados e bens de consumo, diversidade que evidencia a amplitude do interesse do setor produtivo regional em ampliar sua conexão com o mercado internacional.
Para ele, o principal ganho dessas viagens vai além do fechamento de negócios imediatos. Segundo ele, o contato direto com a indústria chinesa amplia a capacidade de análise estratégica dos participantes ao longo de todo o ano.
“O empresário que entra numa fábrica na China volta com outra visão. Ele entende o que é escala, como o produto é desenvolvido e quais tendências estão surgindo. Isso influencia suas decisões ao longo de todo o ano”, afirma Arcelino Calado.
A iniciativa também toca em uma questão regional sensível. Durante muito tempo, importar significou depender do eixo Rio–São Paulo para intermediar operações comerciais com o exterior. Ao partir do Ceará e levar empresários diretamente à fonte, a missão reduz barreiras logísticas e comerciais, aproximando o Nordeste dos principais centros globais de produção.
“Não estamos falando apenas de trazer produtos mais baratos. Estamos falando de encurtar a distância entre o empresário nordestino e quem realmente fabrica, para que ele possa decidir com mais informação e menos dependência de terceiros”, destaca.