Outubro Rosa: tratamento do câncer de mama pode afetar fertilidade e planos de maternidade

Evangelista Torquato: tratamento do câncer de mama pode afetar a fertilidade

Além da conscientização sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama, o Outubro Rosa chama atenção para uma questão que pode afetar mulheres em idade reprodutiva: os impactos do tratamento sobre a fertilidade e os planos de maternidade.

A quimioterapia e algumas outras terapias podem comprometer temporária ou permanentemente a função dos ovários. O risco depende de fatores como idade, reserva ovariana, medicamentos utilizados, doses e duração do tratamento. Por isso, mulheres que desejam ter filhos devem receber orientação sobre o assunto, sempre que clinicamente possível, antes de iniciar a terapia oncológica.

Segundo o médico Evangelista Torquato, especialista em reprodução humana, essa conversa precisa integrar a assistência à paciente, mantendo o combate ao câncer como prioridade.

“O câncer é a prioridade absoluta. Mas, quando a condição clínica permite, a paciente precisa saber que existem possibilidades para preservar seu potencial reprodutivo. Muitas mulheres recebem o diagnóstico em uma fase da vida em que ainda desejam ter filhos e, no impacto daquele momento, essa questão pode nem ser lembrada”, explica.

Entre as alternativas estão o congelamento de óvulos ou de embriões antes de determinados tratamentos. A indicação deve ser individualizada, considerando o quadro oncológico, as condições reprodutivas da paciente e o tempo disponível até o início da terapia.

O especialista ressalta que nem toda mulher tratada contra o câncer ficará infértil. Da mesma forma, a preservação da fertilidade nem sempre será possível e não representa garantia de uma gestação futura.

“Não podemos prometer que toda paciente poderá preservar a fertilidade, nem que todo tratamento provocará infertilidade. O que precisamos garantir é informação. A mulher deve ter a oportunidade de entender os riscos e discutir as alternativas possíveis antes de iniciar o tratamento, quando houver tempo e indicação médica para isso”, afirma.

Para Torquato, a campanha também abre espaço para discutir os projetos de vida depois do câncer.

“Quando falamos em diagnóstico precoce, estamos falando em aumentar as chances de tratamento e de futuro. Para uma mulher jovem, esse futuro pode incluir o desejo de ser mãe. A preservação da fertilidade precisa fazer parte dessa assistência integral, respeitando sempre a segurança oncológica da paciente”, conclui.

A orientação é conversar com a equipe oncológica sobre os possíveis efeitos do tratamento na fertilidade. Quando houver indicação, o encaminhamento precoce a um especialista em reprodução humana permite avaliar as alternativas, em conjunto com a equipe responsável pelo tratamento do câncer.

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