
A suspensão temporária dos atendimentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todos os canais — presencial, aplicativo Meu INSS, Central 135 e site oficial — reacendeu o debate sobre os desafios da transformação digital nos serviços públicos e o impacto direto no acesso a direitos previdenciários. A paralisação, provocada por manutenção e atualização dos sistemas, deixou milhões de aposentados, pensionistas e segurados sem atendimento em um período considerado crítico, aumentando a preocupação com a continuidade dos serviços essenciais.
Diante das instabilidades, o INSS anunciou a prorrogação do prazo para contestação de descontos indevidos em benefícios até o dia 20 de março de 2026, medida que busca reduzir prejuízos causados pelas dificuldades de acesso durante a interrupção. Segundo especialistas em Direito Previdenciário, a modernização tecnológica é necessária para ampliar eficiência e segurança, mas não pode comprometer o atendimento mínimo, já que aposentadorias e pensões representam renda essencial para a sobrevivência de milhões de famílias brasileiras.
Para o advogado Herton Parente, especialista na área, o episódio expõe um problema estrutural que vai além da tecnologia, ao evidenciar a necessidade de canais alternativos e atendimento contínuo em situações de instabilidade. Ele também alerta para o aumento de casos de descontos não autorizados em benefícios, reforçando a importância da contestação dentro do prazo para garantir o ressarcimento. Especialistas defendem que o caso sirva de alerta para o desenvolvimento de políticas públicas que aliem inovação digital, transparência e atendimento humanizado, garantindo segurança jurídica e acesso pleno aos direitos previdenciários.