
O Alzheimer voltou a ganhar destaque no debate sobre saúde, envelhecimento e qualidade de vida após a estreia da nova temporada do programa Tempo Rei, apresentado por Leilane Neubarth. A atração trouxe relatos emocionantes de familiares que convivem com a doença e chamou atenção para uma realidade enfrentada por milhares de brasileiros: a sobrecarga física e emocional dos cuidadores de idosos com demência. Considerada a principal causa de demência no mundo, a doença afeta não apenas a memória e as funções cognitivas, mas também toda a dinâmica familiar. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 1,2 milhão de brasileiros convivem com algum tipo de demência, sendo o Alzheimer responsável por até 70% dos casos.
Especialistas alertam que, além do avanço gradual da perda de memória, o Alzheimer provoca mudanças comportamentais que impactam diretamente a saúde mental dos familiares. O processo costuma ser marcado por sentimentos de tristeza, ansiedade e exaustão, levando muitos cuidadores a enfrentarem uma rotina intensa de dedicação. Em Fortaleza, cresce a procura por serviços especializados voltados ao atendimento de idosos com declínio cognitivo e outras demências. Entre eles, o Clube de Terapia, pioneiro no Ceará no modelo centro-dia, oferece acompanhamento multidisciplinar com atividades físicas orientadas, oficinas de memória, estimulação cognitiva, socialização e musicoterapia, estratégias reconhecidas por contribuir para a manutenção da autonomia e do bem-estar dos pacientes.
De acordo com a sócia-fundadora Josiane Araújo, a criação de uma rotina estruturada e a oferta de estímulos constantes ajudam a preservar funções cognitivas e reduzem os impactos da doença no ambiente familiar. Já o sócio Marcelo Niza destaca que o cuidado com pessoas diagnosticadas com Alzheimer exige um olhar humanizado e acolhedor, voltado também para quem exerce a função de cuidador. Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira e a previsão da Organização Mundial da Saúde de crescimento expressivo dos casos de demência nas próximas décadas, especialistas reforçam que discutir Alzheimer é uma questão de saúde pública, inclusão social e apoio às famílias que convivem diariamente com os desafios impostos pela doença.