
O combate à violência contra a pessoa idosa ganhou destaque neste mês com a campanha Junho Violeta, mobilização internacional que reforça a importância da conscientização, da proteção e do respeito aos direitos da população idosa. Em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, as unidades da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) intensificaram ações de acolhimento, atendimento humanizado e identificação de casos de maus-tratos. Especialistas alertam que situações de abandono, negligência, abuso financeiro e violência psicológica continuam entre as ocorrências mais frequentes registradas em serviços de saúde, comprometendo não apenas a integridade física, mas também a saúde mental, emocional e social dos idosos.
Segundo a geriatra Sarah Leitão, da Casa de Cuidados do Ceará (CCC), sinais como emagrecimento acentuado, feridas, hematomas, falta de medicamentos, assaduras e mudanças bruscas de comportamento podem indicar situações de violência ou negligência. A médica destaca que agressões verbais, humilhações, ameaças e isolamento social também configuram formas graves de abuso, muitas vezes silenciosas e difíceis de identificar. Relatos de profissionais que atuam diretamente com idosos reforçam a necessidade de atenção permanente. A cuidadora Cristiane Costa, com quase duas décadas de experiência na área, relata ter presenciado casos de violência patrimonial, abandono e maus-tratos, ressaltando que a escuta, o acolhimento e a denúncia são fundamentais para garantir a segurança e a dignidade dessa população.
No Hospital Geral Waldemar Alcântara (HGWA), em Fortaleza, o Serviço Social desempenha papel estratégico na proteção dos idosos em situação de vulnerabilidade. A coordenadora Dayanne de Moraes explica que muitos casos chegam às unidades de saúde mascarados por diagnósticos como quedas, desnutrição ou agravamento de doenças, quando, na verdade, podem esconder situações de abuso e abandono familiar. Ela destaca que a chamada “violência invisível”, especialmente a psicológica e a financeira, representa um dos maiores desafios para as equipes multiprofissionais. Diante desse cenário, especialistas reforçam que denunciar suspeitas de maus-tratos e fortalecer a rede de proteção são medidas essenciais para garantir mais qualidade de vida, segurança e respeito aos direitos da pessoa idosa.